sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Supervênus: ironia a obcessão pela beleza artificial



"aumentar aqui", "tirar ali", "subir um pouco aqui", "colocar aqui"... A busca incessável pela beleza perfeita imposta por revistas, novelas, cinemas, TV é cada vez maior. Os tempos mudam e os padrões também. Lembram da nossa "Vênus paleolítica", uma mulher gordinha que representava o modelo de corpo perfeito?  E dos homens na Grécia Antiga onde todos deveriam ser muito fortes? No Renascimento, aquelas lindas ninfas de corpo e rosto angelical com aqueles cabelões? Na década de 20 era só cabelo curtinho, corpinho meio reto, jeito meio esquisito e todo aquele"Sex- appeal". A partir dos anos 40 tudo muda com a chegada da Marilyn Monroe - o maior símbolo sexual de todos os tempos - um padrão de mulher sexy, vulgar, curvas e mais curvas, quadris largos, decotes com seios fartos. Nos anos 60, junto com a Brigitte Bardot vem a "Mulher Violão" dando um contraste em um novo modelo de beleza "magricelo" com a Twiggy, onde não tinha curva nenhuma, cabelos curtos, um jeitão meio "boy style". Chegamos nos anos 70, tanto os padrões de beleza feminino quanto masculino tem uma mudança bem drástica pois era um tempo de libertação sexual e igualdade dos direitos entre homens e mulheres e então tudo fica mais "Unisex" e andrógino - homens deixam seus cabelos crescerem, suas roupas ficam mais coloridas, deixam de ser aquele padrão musculoso - Conhecem David Bowie? Então, ele foi esse padrão. Anos 80 era a vez do Arnold Schwarzenegger virar o cara dos "Mister Músculos" e da Jane Fonda a "Garota Ginástica", que que aconteceu? Todo mundo queria ficar musculoso. Calma, já estamos nos anos 90, a década em que todas queriam ser uma Barbie e da febre das cirurgias plásticas, aí né minha gente, ninguém parou mais: corpo sarado, nariz empinado, seios grandes, cintura fina, magra, alta, cabelos longos, enfim... Você querendo ou não o padrão de beleza de hoje em dia é esse, e há quem queira entrar nesse padrão custe o que custar. Até não precisa ir muito hard no assunto, quem é maquiador ou maquiadora sabe o quanto as mulheres querem uma base que cubram e façam mil milagres no rosto e, então, o que era pra realçar se torna um esconderijo daquilo que já é belo.
Nessa passagem toda eu paro e  fico aqui e pensando comigo mesma nos site até com um certo medo de imaginar quais vão ser os padrões daqui uns 20 ou 30 anos, já que as revistas não se abalam em colocar como capa meninas anoréxicas e chamar aquilo de "belo". Mas e você, o que acha desse "padrão" estipulado pela moda/mídia que para nós que já somos bonitas do nosso jeitinho sermos apenas um padrão de "peitões", "pernão", "bundão", "mudar nariz", "mudar boca", "tirar gordura dali", "colocar algo ali"...
Assistam esse vídeo que trata de uma maneira engraçada um assunto sério como esse. O curta é do cineasta Francês Frédéric Doazan e ganhou um prêmio em 2013.


                       

Um comentário:

  1. Esse padrão é vendido pela mídia porque ninguém se interessa pelo comum. O comum é desinteressante. Um caso que mostra bem isso é: http://www.dailymail.co.uk/news/article-2199838/Leading-German-womens-magazine-Brigitte-reverses-decision-use-real-people-instead-skinny-models-sales-dropped-pounds-piled-on.html
    Essa revista alemã, Brigitte, que é voltada para o público feminino, decidiu colocar apenas modelos com corpos "normais" nas suas capas. Resultado, queda de 1/4 das vendas. É regra básica de venda forçar o irreal.
    Além de que "padrão imposto pela mídia" é algo que ninguém engole mais. Eu concordo que algumas pessoas se sintam influenciadas pelo que assistem na TV ou lêem nas revistas, mas a mídia não está nem aí para moldar as pessoas fisicamente. Inicialmente o que eles querem é dinheiro, e estão ali para vender o que o público quer consumir. Se há algum padrão de beleza, é aquele que é reconhecido democraticamente como o melhor, e portanto, de maior visibilidade na mídia. Agora, se mulheres que não se "encaixam" nos padrões (gordas, axilas peludas, quarentonas, etc) querem se forçar como lindas, que o façam, mas não podem vir com essa história de padrão de beleza. Esses padrões são criados e cultuados pela massa, por uma coletividade, e não por uma mídia-entidade.

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